Por Clóvis de Almeida
Começa o ano letivo e as reclamações recomeçam. Em todo o país, milhares de pais reclamam da longa lista de material escolar que as escolas receitam para os alunos. Começa nas instituições públicas e se estende às particulares, onde o número de itens costuma ser gigante. Algumas listas chegam ao exagero de pedir material proibido pelo Procon, como álcool, papel higiênico e, pasmem, tinta para impressora! É bom lembrar que, pratos e copos descartáveis também não podem ser listados, assim como clips, giz branco e colorido, grampeador, grampos, lenços descartáveis, medicamentos ou materiais de primeiros socorros, material de limpeza, papel para copiadoras, papel de enrolar balas, papel para flipchart, pregador de roupas, plástico para classificador, tonner, fita durex grande, sacos de presente, sacos plásticos e talheres descartáveis.
Há registros de “listinhas” que pedem números absurdos de determinados materiais, chegando a listar quantidades de folhas de papel sulfite suficientes para outros três alunos, sem contar que os cadernos pedidos dariam para outros três anos.
O pior é que, quando os pais reclamam, geralmente sofrem represálias por parte da direção da escola.
Caso os pais se sintam prejudicados frente a uma lista considerada absurda, o Procon pode ser acionado. “Assim que a irregularidade na lista de material escolar for constatada, ou mesmo quando houver a desconfiança dos pais, o caminho é registrar a denúncia no órgão. Ao final da investigação, a escola pode ser multada”.
É sempre bom lembrar que é melhor um péssimo acordo do que uma boa pendenga. Portanto, não custa nada conversar primeiro, até se chegar a um acordo que seja bom para ambas as partes, ou melhor, para ambos os bolsos.
A lista indesejada pelo tamanho pode ficar ainda pior no balcão de compra na loja de materiais escolares. Como diria a maioria, “os preços estão pela hora da morte”. Tem para todos os gostos, mas até os mais baratinhos estão carinhos.
Para o problema de preço, só tem um remédio: andar e comparar, de loja em loja, mesmo que custem tempo e sola de sapato. Tem gente que garante ter economizado até 50%, andando, comparando e pechinchando. Pechinchar não é feio, é direito de negociação. Feio é levar prejuízo.
Outro probleminha muito discutido é o ato de levar crianças, ou seja, o aluno, na hora de comprar o material. Quase sempre eles querem o que o dinheiro não alcança. Há quem defenda que a presença delas são oportunidades para que tenham uma aula de finanças, outros pensam que é só para ter dor de cabeça, pois nem os beliscões tiram da ideia de um baixinho atiçado aquela mochila do Homem Aranha, que custa o salário do pai.